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Interseções entre arte e consumo

No começo do século, vimos um movimento interessantíssimo da vitrine enquanto exposição de produto e também de arte. Tracy Morgan, no livro “Visual merchandising: vitrines e interiores comerciais”, nos conta um pouco essa história. A década de 1920 foi um período de intensa criatividade para a arte e a moda, que repercutiu na arte do vitrinismo.

Nessa época, diversos jovens artistas de Paris estavam inconformados com o fato de que seus quadros só podiam ser admirados nas residências de pessoas ricas e famosas, e voltaram-se para o grande público. Em pouco tempo, os grandes estabelecimentos comerciais parisienses estavam repletos de temas decorativos inspirados no Art Déco, e os estilistas haviam encontrado uma passarela estática inovadora para apresentar suas criações.

As lojas de departamento de Nova York também seguiram essa tendência na década seguinte. Salvador Dalí produziu as primeiras vitrines criativas dos EUA, E Andy Warhol também iniciou sua carreira em lojas da cidade.

Costumo citar em palestras, quando falo de tendências – e também já falei aqui no blog -, que temos visto cada vez mais um movimento de aproximação entre arte e consumo. Temos percebido uma grande discussão, inclusive no mercado da arte, sobre a arte enquanto entretenimento.

Essas são discussões muito interessantes de aprofundarmos, coisa que só acabamos tendo tempo de fazer em sala de aula, não é mesmo? Aqui eu gostaria apenas de mostrar para vocês uma loja que acho fascinante, que reflete essa tendência de aproximação de arte e consumo: a Arteum.

Entrar na loja Arteum é como entrar numa galeria de arte e design. O conceito desta loja magnífica gira em torno do fenômeno artístico, oferecendo uma seleção exclusiva de produtos relacionados com o mundo da arte contemporânea. Encontramos uma seleção de obras de arte disponíveis, esculturas, fotografias, pinturas, edições limitadas, reproduções e produtos derivados, em torno de artistas como Keith Haring, Basquiat, Andy Warhol, Mondrian…

Arteum é ideal para presentes fora do comum. Desde canecas Pantone a um espremedor de Philippe Starck, não é fácil resistir à seleção precisa de objetos. Entre as áreas da loja, há um estúdio reservado onde obras de jovens talentos são expostas a cada dois meses.

Nesse dia que visitei a loja estava tendo uma aula sobre arte moderna e, nossa geração (com mais de 40), que viu a dificuldade da arte e dos amigos artistas conseguirem se impor enquanto mercado, percebe o quão fantástico é a possibilidade de um tipo de PDV desses, trazendo a arte ao consumidor, formando um novo ponto de vista, democratizando, sim, a cultura!

Como andamos com tantas questões sobre o consumo consciente, mais do que nunca é a hora de trocarmos o consumo descartável pelo consumo desenvolvimentista que eleva nosso ser engrandecendo nosso conhecimento, nossa criatividade, nossa qualidade de vida, e para os que, como eu acreditam, nossa elevação espiritual.

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